O DÍZIMO, desafio pastoral da comunidade eclesial

Em nossa Diocese, o mês de novembro é dedicado ao Dízimo (Dz). Em breve texto, desejo contribuir com uma reflexão sobre ele: breve referência bíblica, os seus desafios hoje para a comunidade e alguma sugestão litúrgica a respeito.

Percorrendo sinteticamente o que a Bíblia apresenta sobre o Dz, podemos dizer que ela trata pouco do tema no que diz respeito à quantia, porém considera sim a obrigação de entregar a décima parte de alguns produtos ou, eventualmente, em dinheiro. Em princípio, o pagamento do Dz se realizava em poucas ocasiões (cf. Gênesis 14,20; 28,22). Por outra parte, o Dz, não poucas vezes, se confundia com “os impostos” que deviam ser pagos ao Rei, tirados da colheita anual dos frutos do campo (1Samuel 8,15). Assim também, quando era resgatado o filho primogênito do homem e do gado (Levítico 27,26.30). Era obrigatório contribuir com o Dz para a manutenção dos levitas e sacerdotes do Templo. Falava-se pouco da relevância social do Dz; era obrigação das autoridades do Templo cuidar dos pobres e viúvas; não sempre o fizeram, motivo das imprecações dos profetas (Deuteronômio 14,28; 26,12-15).

No final do século VII a.C., a contribuição do Dz foi reformada. Foi setorizada, colocando alguns santuários e sinagogas para o seu recolhimento. Entregava-se um Dz pelos animais e para o exército romano; o que originou muitos abusos (Levítico 27,31). Parece que em tempos de Jesus, o Dz continuava a ser pago e também um imposto para a manutenção do Templo chamado “tributo para o Senhor” (Mateus 17,24-27), pago em moeda permitida, que não tivesse a imagem do Imperador romano; exigência que permitia ter cambistas no interior do Templo, convertendo-se assim em “covil de ladrões” (cf. Marcos 11,15; Mateus 21,13b) (Cf. DICCIONARIO DE LA BIBLIA: Diezmo-Impuestos. p. 208.379).

Hoje o Dz faz parte da vida comunitária. Não podemos omitir a necessidade de manter a comunidade paroquial. Para o bom funcionamento, é preciso comunhão e participação que gere engajamento, tanto na procura de recursos quanto na administração paroquial. A responsabilidade de sustentar a comunidade paroquial é um compromisso de todo cristão. Mesmo – se for o caso - que a comunidade seja pobre. Nesse sentido, entra também a preocupação de organizar a contribuição do Dz, formando a consciência da comunidade nesse quesito. A implantação do Dz deve promover o sentido comunitário. No entanto, devemos estar atentos do perigo que representa o costume do “do ut des”, isto é, entrego interesseiramente meu Dz para que “Deus me abençoe e me proteja”; isto é, doar para receber mais. Isso não é evangelização, é barganha religiosa, longe do espírito do Evangelho (cf. CNBB. Comunidade de comunidades 288; ─. Cristãos Leigos e Leiga na Igreja 274i). Em alguns lugares se está falando do “Trízimo”(?).

É preciso que a tarefa de organizar o Dz paroquial seja confiada ao Conselho e Assuntos Econômicos Paroquial (CAEP), que em nossa Diocese está presente em todas as paróquias. Sua finalidade é ser um órgão consultivo do pároco; composto de leigos(as) da comunidade, para coparticipar nas tarefas de administrar os bens temporais da paróquia e promover o sustento da evangelização. Entre os objetivos listados do CAEP, diz: “Implantação e acompanhamento da instituição do Dz, que deve ser prioridade na organização da comunidade, bem como sua gestão” (Art. 4o – inciso VI) (DIOCESE DE SANTO ANDRÉ. Conselhos Pastorais e Administrativos. Estatutos e Orientações 5. p. 41-43). 

Para concluir: uma sugestão litúrgica a pensar: É costume recolher o Dz nos 2os Domingos de cada mês. É importante manter fixa essa data como referência fixa para os dizimistas. Nesse Domingo, o recolhimento do Dz acontece, normalmente, após o Hino de Glorificação (ou após o Ato Penitencial), antes de nos recolhermos em silêncio, para a ORAÇÃO COLETA, oração central dos Ritos Inicias.

O que acontece?  Ritualmente, recolher o Dz nesse momento ofusca a harmonia dos Ritos Iniciais da celebração eucarística. E isso não é pouca coisa, a não ser que não entendamos os ritos litúrgicos, coisa que o PP Francisco há tempo se lamentava (cf. Desiderio Desideravi 27).

Por isso, deveríamos repensar o momento da colheita. A meu ver, o Dz poderia ser recolhido “antes de comunicar os avisos paroquiais”. Desse modo, em nada atrapalha os ritos da celebração eucarística. O certo é que onde hoje colocamos o recolhimento do Dz, deturpa a ritualidade da celebração. Pois, o Dz nada tem a ver com a liturgia dominical. Essa coleta é introduzida aos Domingos, para facilitar a contribuição dos dizimistas; necessária para a evangelização da comunidade eclesial.


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